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EDISON HOME MODEL B
Publicado em 19 de janeiro de 2026

O primeiro modelo do Home foi lançado no mercado ainda em 1897, um ano após o Spring Motor, que foi o primeiro fonógrafo comercial de Edison movido à corda. A primeira versão do Home é conhecida como suitcase, facilmente identificável pelo decalque em formato de banner localizado na tampa do gabinete.

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Na virada para o século XX, o Home evoluiu para o Modelo A, que contava com um gabinete maior, normalmente tingido em tom esverdeado e com o decalque banner localizado na parte da frente.

 

Por ter sido o maior gabinete produzido entre as diferentes versões do Home, o Modelo A é também chamado de longbox, ou longcase.

A partir de 1902, com a transição de Edison dos cilindros de cera marrom para os cilindros pretos moldados, os fonógrafos também passaram por transformações. No caso do Home, a mudança veio em 1905 com o lançamento do Modelo B, que apresentava uma redução da base do mecanismo, a partir da adoção de uma peça única em ferro fundido. Consequentemente também houve uma ligeira redução do tamanho do gabinete, que passou a ser apresentado na cor carvalho antigo e com o decalque escrito apenas Edison. Alguns Modelos B iniciais saíram de fábrica com decalque banner.

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Com a padronização da velocidade de rotação dos cilindros em 160 rpm, o controle de velocidade no Modelo B foi retirado da parte superior da máquina e discretamente alocado na parte interna do mecanismo. Outra mudança foi a retirada do raspador de cilindros que ficava na parte de trás do braço do reprodutor. Ambas mudanças marcam bem esse momento de transição dos fonógrafos, que passam a ter configurações mais destinadas à execução de cilindros pré-gravados, do que para a realização de gravações caseiras.

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Este Modelo B que restaurei saiu da fábrica por volta de 1906 e chegou nas minhas mãos em 2021, cerca de 115 anos depois. Devido ao mau estado de conservação da máquina, a restauração acabou levando um longo tempo. Durante o processo ocorreram diversas interrupções, ora para estudar e testar soluções, ora para pesquisar e garimpar peças de reposição e algumas pausas devido aos outros afazeres.​​

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Avaliando as condições mecânicas do fonógrafo, foi possível notar que faltavam algumas peças e outras estavam muito deterioradas. No motor, por exemplo, faltava o segundo pinhão, que provavelmente quebrou e se soltou do eixo. Um problema bastante comum desse modelo. Já o sistema de controle de velocidade (governador) estava sem um dos pesos. No mecanismo superior, a rosca do mandril estava completamente enferrujada e uma limpeza não seria suficiente para colocar a peça em pleno funcionamento. Diante disso, o primeiro passo foi iniciar uma busca por peças substitutas.

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Enquanto pesquisava e esperava as peças chegarem, comecei a reforma do gabinete. Havia algumas partes quebradas, como o suporte da base do mecanismo. Mas como todos os pedaços estavam presentes, era um reparo simples de colagem.

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Os encaixes do gabinete também precisavam receber um pouco de cola. Como as peças estavam empenadas, desmontei tudo para fazer o desempeno e tentar deixar o gabinete o mais alinhado possível. Para desempenar, basicamente mergulho a peça de madeira em um recipiente com água por algumas horas. Depois deixo secar em uma superfície plana com grampos forçando a peça no sentido contrário do empeno. Costumo deixar uns três dias com o grampo e depois vou afrouxando gradativamente até completar uma semana. É importante ter cuidado com a pressão dos grampos, pois a madeira pode deformar com o aperto em excesso.

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Durante esse processo de desempeno das peças do gabinete, acabei descobrindo um problema mais grave. A lateral direita, lado onde encaixa manivela, estava com parte da madeira apodrecida. Confesso que nunca tinha visto um problema como esse num gabinete de carvalho. Mas sabe-se lá quais foram as condições de armazenamento desse fonógrafo ao longo de todos esses anos.  

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A parte apodrecida parecia superficial, então a princípio achei que seria possível desbastar alguns milímetros da peça para remover o que estava ruim. Porém, após fazer alguns testes, notei que a peça estava ficando com uma espessura muito fina. Então a solução foi substituir a lateral inteira. Consegui encontrar uma lateral retirada de uma sucata, o que ajudou a não criar uma diferença entre as peças.

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Havia também pequenas partes podres nos encaixes da parte da frente e de trás do gabinete. Nesse caso foi necessário remover esses pedaços e fazer pequenos enxertos. Para fazer os enxertos, usei pedaços do que restou da própria lateral que seria substituída. Usar madeiras iguais ajudou bastante a suavizar as emendas.

Com os enxertos prontos e a “nova” lateral em mãos, o gabinete foi colado novamente. O próximo passo foi seguir para o lixamento. Costumo aplicar antes um removedor de tinta para ajudar na remoção do acabamento. A partir daí, normalmente começo com lixa 120, refino com a 220 e finalizo com 320.​​

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No acabamento do gabinete segui o mesmo processo que já foi detalhado aqui na restauração do Standard Model D.

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A repintura das peças pretas também seguiu o processo dos restauros anteriores. Primeiro o lixamento, depois a aplicação do primer, em seguida a tinta preta e por fim a camada de verniz com a goma laca. Uma diferença dessa vez é que as linhas douradas que contornam a base do mecanismo foram pintadas à mão, tal como eram feitas na época. No modelo Home, os contornos e arabescos em decalques começaram somente a partir do Modelo D.

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Existem várias técnicas para pintar as linhas. Realizei vários testes e a forma que melhor me adaptei foi a seguinte: utilizei uma caneta com tinta esmalte dourada da marca Uni Paint e criei gabaritos feitos de papel paraná a partir dos contornos da própria peça para guiar os traços. Para fazer as folhas nas extremidades dos traços, basta treinar um pouco antes em um pedaço de papel.

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Um detalhe importante, as linhas são desenhadas antes da aplicação da camada de verniz de goma laca, então é possível consertar eventuais erros com solvente, ou um leve lixamento. Depois de traçar as linhas, aplico o decalque com a assinatura de Edison e, em seguida, vem a camada de verniz. Costumo aplicar várias demãos de goma laca com a pistola, normalmente umas 15 demãos finas aplicadas ao longo de três dias (5 demãos por dia). Isso cria uma camada de verniz suficiente para o lixamento e polimento final.

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Para finalizar o acabamento do fonógrafo, foi necessário dar um novo banho de níquel nas peças metálicas. É importante fazer o polimento das peças antes do banho para a superfície ficar sem imperfeições, sobretudo quando as peças estão enferrujadas como no caso desse fonógrafo. Em algumas galvanoplastias, o trabalho de polimento já está incluso no serviço do banho.

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Faltava ainda o reprodutor e a corneta. As cornetas originais costumam ser mais difíceis de encontrar do que o próprio fonógrafo. Então é bastante comum o uso de réplicas.  Isso é uma realidade não só aqui no Brasil, até mesmo nos EUA, onde a oferta dessas máquinas é muito maior, é bastante comum os fonógrafos serem vendidos com réplicas de cornetas.

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O reprodutor desse modelo é o famoso Model C, provavelmente o reprodutor mais conhecido e usado nos diversos modelos de fonógrafos Edison. Garimpando pela internet é possível encontrar reprodutores Model C à venda. Normalmente é necessário fazer uma revisão geral: limpar, trocar as juntas de borracha do diafragma e revisar a agulha de safira.

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No caso do exemplar que comprei, a agulha de safira estava gasta. Isso pode ser percebido quando o som do cilindro fica muito distorcido. Claro, é preciso realizar esse teste com um cilindro em boas condições. Outro sintoma que pode ocorrer é um eco durante a reprodução, indicando que a agulha não está percorrendo corretamente os sulcos do cilindro.

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Para examinar a safira é preciso uma lupa, dessas usadas por joalheiros ou relojoeiros. Na foto é possível notar a deformação na ponta da safira indicando o desgaste. Por sorte, é possível girar a safira 180º e usar a outra face. Além de paciência e delicadeza, você vai precisar da lupa, pinça e um ferro de solda eletrônica para esquentar e soltar a safira da barra.  Depois de girar a safira, você precisa fixá-la novamente. Dentro do pequeno orifício da barra eu coloco cera de abelha derretida e ao redor safira na parte de fora uso pequenas gotas de gama laca. Qualquer outra cola irá fazer o trabalho. Mas a vantagem de usar cera de abelha e goma laca é que sempre será possível remover a safira aquecendo novamente a barra com o ferro de solda.

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Depois de um longo processo o Home finalmente ficou pronto. Para apreciar o fonógrafo em pleno funcionamento utilizei um cilindro de 1909, com a música Autumn Leaves, interpretada pela Edison Concert Band. Vamos conferir!

© 2026, Marcelo Sgrilli.

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