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PATHÉ Nº 1
Publicado em 10 de outubro de 2026

Em meados de 1903 a empresa francesa Pathé lançou uma série de fonógrafos em que os modelos foram numerados sequencialmente, do modelo mais simples aos mais elaborados. O Pathé Nº 0 era o modelo de entrada, o menor e mais barato da série. Enquanto o Nº 4 era o top de linha, custando quase sete vezes mais.

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O Nº 1 figura entre os modelos intermediários da série, contando com algumas melhorias em relação ao modelo Nº 0. Por exemplo, o motor é maior e mais potente, contando com duas cordas ao invés de uma. Além disso, possuí a rosca de alimentação que controla o deslocamento do braço e reprodutor ao longo do cilindro. Apesar de ser algo tradicional nos fonógrafos, o modelo Nº 0 não possuí esse sistema.

É possível saber mais sobre cada modelo aqui​ no catálogo da época disponível no site Graphonogram.

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O exemplar que restaurei é na verdade a segunda versão do modelo Nº 1, também conhecida como New Perfecta, lançada por volta de 1905. Mecanicamente as duas versões são bastante semelhantes, a grande diferença está no gabinete. Na nova versão, a máquina está fixada na parte interna da tampa e fica guardada de ponta-cabeça dentro do gabinete. Então no momento da utilização do fonógrafo, a tampa deve ser aberta e apoiada sob o gabinete para que a máquina fique exposta. Um projeto diferente e bastante interessante.

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O processo de restauração foi bastante conservador, uma vez que as condições gerais do fonógrafo eram boas. O gabinete estava bem preservado e o mecanismo apresentava sinais de funcionamento. Então o caminho seria realizar uma boa limpeza e lubrificação. Porém, o fonógrafo estava incompleto, faltava todo o sistema de reprodução: corneta, mancal e reprodutor. Então, foi necessário tempo e paciência para conseguir encontrar essas peças para completar a máquina.

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Enquanto procurava pelas peças, comecei o trabalho revisando o mecanismo. O motor foi completamente desmontado para uma limpeza geral. Ao desmontar as cordas descobri uma emenda em uma delas, um reparo antigo que não impactou no funcionamento da máquina.

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O gabinete foi limpo com Goop, que é um desengraxante destinado à limpeza das mãos. É um produto muito eficiente e amplamente utilizado por restauradores e colecionadores de máquinas falantes. 

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Após a limpeza do gabinete, costumo aplicar uma cera para realçar o brilho e ajudar na proteção da madeira. A alça e os fechos do gabinete estavam bastante enferrujados, então optei por dar um banho de níquel para acompanhar o padrão de acabamento.

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Durante a montagem, notei que o braço do reprodutor está trincado, mas felizmente ainda funciona normalmente. Essa peça costuma ser fonte de problema, pois é feita de uma liga metálica de baixa fusão que tem menor resistência a ação do tempo.

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Para demonstrar o funcionamento do fonógrafo, selecionei um cilindro Pathé de grande diâmetro, chamado de salon ou inter. A máquina vem com um adaptador para tocar esse tipo de cilindro. A música que vamos ouvir é La Biche Aux Bois, composta e interpretada por Léonce Bergeret.

© 2026, Marcelo Sgrilli.

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